As minhas Personagens...

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrega à destruição; desistir

Afundo-me na banheira.

A pele descoberta denota as suas rugas.
Esta pele enrugada
Pela vontade de me afundar.
Permanentemente.

Pela minha cara
Escorrem verticalmente
Duas águas distintas.
A da banheira
E a da minha entranha.

Permaneço-me na cova branca
Embebida em líquido transparente.
E julgo-me a entrar
Na caixa de madeira
Que a terra engole lentamente.

Comer já não me alimenta.
Vou degustando palavras,
As minhas. Essas que são
Minhas filhas.

Afundo-me na banheira.

Converso versos e frases
Comigo, que já não me gosto.
Afundo-me na banheira.

Alimentar-me de palavras
Não me permite continuar...
Sinto-me afundar.
Será que quero continuar?

O líquido cobre a face
Por completo
E não me deixa respirar.
Ou sou eu que não quero voltar?

Deixo-me afundar.

As palavras, leva-mas a água.
O vento, já não me leva nada
Nem me trás o que quer que seja.
Deixo-me acobardar.

Corajosamente
Aguento a dor e insisto em ficar.
Adormeço.
Neste sono tão característico.
Deixei de sentir qualquer dor...

Não me voltem a acordar.


Ofélia Castro, Nov. 2009

Repulsar o Desejo

Desenlaças-me a vontade protegida;
A que não demonstrei,
A que guardei
Cuidadosamente escondida.

Ao olhar-te, os teus olhos
Devoram o meu corpo vestido,
Despem-me a alma toda
E descobrem-me o segredo apetecido.

Escondi-me de ti
E o meu corpo não te viu.
Fugi do que senti
Mas o que senti
Dificilmente se encobriu…

As tuas mãos que não me tocam,
Sinto-as a devagar…?
Não são as tuas? São as minhas…
A imaginação insiste em enganar…!

De novo frente ao teu cheiro
Lanço-me e provo-te o sabor,
Trinco-te a alma cheia
E devoro em ti qualquer dor!

Não adianta fugir para o certo
Se o errado não existe.
O desejo ao estar perto
Embebeda o corpo que resiste.

Ofélia Castro

Eu

A minha foto
Planeta Terra, Portugal
Para quem visitar o meu espaço, não se esqueça que o último texto da página foi o primeiro a ser colocado e que entre os primeiros e últimos textos, há sempre uns pelo meio... Digo isto porque quando leio um blog, tento perceber se há algum texto que me agrade, sem deixar que os primeiros, os últimos ou os do meio me repulsem... Aqui, há textos para todos os gostos.