As minhas Personagens...

Apesar das várias assinaturas..., as palavras são todas da minha autoria.







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quarta-feira, 31 de março de 2010

O teu olhar

Olhaste-me com essa força…
Toda essa tua segurança no teu olhar
E não fui capaz de continuar a respirar,
Parei de dançar, parei de pensar…
E ainda mais segura de ti,
Ao me veres parar,
Reforçaste o teu penetrar.

Inspirei dupla e repentinamente… e expirei…,
Num suspiro que se viu…
Matou-me por inteiro aquele teu olhar.
Continuaste a balançar…
Continuaste a dançar
E eu não pude deixar de observar…
E reparar… a tua sensualidade
Enche o meu apreciar.

Guardei a timidez cá no fundo
E deixei-te aproximar…
Pensei em tocar-te, sem te desrespeitar…
Já tão próxima de mim… senti o teu aroma…
E fechando os olhos... imaginei-te na minha boca.
Tocaste-me no ombro, toque leve esse,
Que intenso me tocou profundamente.

Senti a tua respiração…
No canto do meu lábio,
Senti aquele toque tão subtil,
Que perguntei se seria o teu cabelo…
Deixei-te conduzir-me
Naquela dança tão quente…


Com a tua mão nas minhas costas
Arrepiaste-me e…
A outra mão tocou-me nos lábios e
Preparou-os para o beijo desejado.
Encostaste o teu lábio inferior ao meu
Lábio inferior… e mordeste-me…
Cuidadosamente…, carinhosamente…!

Pegaste-me na mão e puxaste-me.
Quiseste privar-nos…
Eu encostei-te a uma parede e, excitada,
Beijei-te o peito… e tu,
Desejada, deste um suspiro de
Mulher amada e agarrámo-nos,
Aceleradas e suadas…

Puxei-te e corremos para a areia.
Olhamo-nos. Desta vez com
A mesma igualdade de segurança.
Beijamo-nos. Desta vez deitadas.
Molhadas… com o sal do mar…
Banhadas pela areia que se agarra
À pele sedenta de paixão…

Consumimo-nos e
Os gemidos não nos deixam
Ouvir a música que toca.
A areia húmida, sinto-a seca
De te sentir assim tão…
Rebolamos na praia escura…
E invertemos colocações...
Sobes para cima de mim...
E dizes-me ao ouvido:
Sentes-me?


Amélia Rosa, 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

Ser

Algumas vezes queremos não ir em frente,
Mas o sentimento é tão fluente…
Que desejamos nunca vir a amar…
Mas não se enganem seres de carne fraca!
Somos todos sangue quente,
Somos todos sentidos e respirar,
Somos mais que o que se sente…
Somos forças da natureza que alguém ousou criar.

Somos belos no nosso interior.
Mas estamos constantemente a afirmar o exterior.
Constantemente queremos desajustar o que algo superior
Desenhou ao pormenor com mestria e rigor.

Ansiamos e tornamos utópica a perfeição…
Ridículos seres somos…
Que não compreendemos toda a nossa perfeita perfeição.
Heróis carnífices fomos…
Que não só nos descobrimos,
Como destruímos o que não foi nossa criação.

Mesmo assim…, somos tão fantásticos
Na nossa perfeição tão única…
Este sangue que não nos deixa ser apáticos,
Esta pele! Tecido que envergamos como túnica.
O meu sentimento por nós é de amor/ódio…
Porque: como é que algo tão belo se afirma
Igualmente, tão cruel e, verte sódio...
Em forma de lágrima?


Diana Estêvão, Março 2010

domingo, 21 de março de 2010

Estranha forma de vida

Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro

Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vives de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vives perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais

Se não sabes onde vais:
para, deixa de bater,
eu não te acompanho mais.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Hoje seria o teu dia.

Abri o armário. Tirei três pratos. Quis pôr a mesa para jantarmos... mas esqueci-me que a mesa ficou maior... Maior com a tua ausência. E mesmo com a permanente dor da tua falta, a inconsciência do teu não estar predominou naquele momento, por eu não me ter habituado ainda ao teu não ser.
Já com os três tabuleiros na mesa, coloquei três pratos, mais os três copos e ainda mais os três guardanapos... e não me lembrei sequer à quarta vez que não te irias sentar ali e comer connosco! A cada uma das terceiras vezes que coloquei as tuas peças, eu não me lembrei que já não és, já não estás! Como não me lembrei?!...
À quinta peça - os talheres - lembrei-me que, por vezes, costumavas colocá-los ao contrário... sabe-se-lá porquê... e com esse pormenor muito teu, lembrei-me que TU já não és um de nós... Aquela primeira, segunda ou terceira pessoa que se senta à mesa connosco. Já cá não estás... E sem saber o que fazer, levei as mãos ao rosto... num acto irreflectido e sentido...
Peguei nos talhares já postos... e no prato e... abri o armário. Pus o prato, abri a gaveta e coloquei os talheres... Tirei-te o guardanapo e não soube onde o por... agarrei no copo e arrumei-o novamente... E sentei-me numa das três cadeiras... Apática. Doeu-me ter que te retirar o lugar. O lugar que já não é teu, mas que fica tão vazio sem ti... eu ainda te sinto aqui... Sinto-te! Tão presente..., tão evidente... Sinto-te meu querido...!
(lágrimas)

Chegaste e sentaste-te, mãe. Não disseste nada. Eu nada te disse. Beijei-te a testa e sentei-me na terceira cadeira, vazia. Deixei a outra do meio ali, na mesma...
Comemos... sem fome. Só com saudade. Faltaste tu, meu querido... Faltaste tu... Desculpa-me... Desculpa-me!... Perdoa-me não ter posto prato para ti..., nem copo... nem talher..., nem guardanapo...
Desculpa não ter posto mesa para ti, meu pai...


Ofélia Castro
19 de Março de 2010

Palavras

Contaste-me palavras prometidas.
Não me as disseste.
Deixaste a imagem no ar.
O ar que inundamos
Com os nossos odores.
Deixaste-me a pensar...
E enquanto nos afundamos
Nos nossos amores,
Disseste-me palavras sentidas.
Palavras que não me as prometeste.
Tentei senti-las...
Mas nunca me as ofereceste.
Tentei ouvi-las...
Mas não as repetiste.
Tentei reproduzi-las...
Mas não as pediste.
Quis traí-las...
E tu sentiste-te.
Quis trazê-las.
E tu vieste comigo.

Ofélia Castro

Partiste?

O barco vai partir
E eu não sei se quero ir...
Contigo.
O mar é rude e longo...
E apesar da sua imensa beleza...
Eu tenho medo.

O barco vai partir...
E eu não sei que fazer...
Perco-o?
Vou?
Espero?
Se espero ele parte.

E tu?
Esperas por mim?
Partes?
Ficas?
Arrependes-te?

O barco vai...
O barco foi...
E tu foste...
Não te censuro.
Era egoísta pedir-te
Para ficares...
Perdi o barco.
O nosso barco.
E a ti?
Perdi-te?
Voltas um dia?

Espero pelo nosso próximo barco?

Não se perde o mesmo barco duas vezes.
Tal como não se ama o mesmo homem duas vezes.

Ofélia Castro, Março 2010

InCertezas

Eu digo que tenho tudo controlado,
Mas eu sou demasiado sentimental.
Este meu lado esquerdo...
Já foi várias vezes machucado.
Várias vezes isto de brincar me correu mal...


Eu digo que cá me arranjo...
Mas só vejo forma de me arranjar um amor...
Quero sair, mas fui eu quem quis entrar...
Fui eu quem deixou isto voar...
Fui eu! Quem quis provar este sabor!
A culpa não foi do cupido mascarado de anjo...


O lado esquerdo chora...
E parece que gosto de viver como poeta...
Que vive a vida na amargura da hora...
Que troca esta acidez tão secreta
Por um poema que fugazmente devora!
É uma dor que demora...
E o meu lado esquerdo chora...


Não sei se te quero,
Ó tu! Que me consomes os pensamentos...
Nem sei se te não quero...
Que isto é um rebanho de sentimentos!
Quanto mais penso mais me perco...!
Neste mar de desejos ardentes...


As incertezas conferem ansiedade à vida.
A ansiedade é filha da adrenalina...
A adrenalina é culpada pela súbita subida
De coragem e desinibição num ser...
Posto isto: que era da vida sem incertezas?
As certezas exterminam um possÍvel acontecer.
A certezas só servem para nos deixar morrer.

Amélia Rosa, Março 2010

Eu

A minha foto
Planeta Terra, Portugal
Para quem visitar o meu espaço, não se esqueça que o último texto da página foi o primeiro a ser colocado e que entre os primeiros e últimos textos, há sempre uns pelo meio... Digo isto porque quando leio um blog, tento perceber se há algum texto que me agrade, sem deixar que os primeiros, os últimos ou os do meio me repulsem... Aqui, há textos para todos os gostos.