As minhas Personagens...

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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Agarra-me como se eu fosse morrer.


Tu fechas os meus olhos inquietos com os teus lábios cuidadosos. E beijas-me o espelho da alma mesmo com as minhas cortinas implacáveis.
As minhas facas, pedras, armaduras, escudos e brutas palavras caem-me aos pés molhados pela água do chuveiro... E água que usas para me lavar o coração vagabundo e encardido, além do meu corpo pelas tuas mãos amolecido, confunde-se com a chuva dura que cai lá fora.
Separas-me mechas de cabelo e colocas nele mais que shampom... Essa delicadeza é que o amacia..., com o carinho de quem ama pela primeira vez e cuida como se não houvesse ninguém mais precioso... Tu, tratas de mim como se eu fosse desaparecer.
E eu chorei a primeira vez que me deste banho. Não viste as lágrimas porque no meu rosto só quis sentir as gotas de água do chuveiro onde me colocaste debaixo... Não quis naquele momento ninguém além de nós.
Esfregas a minha cabeça com as mãos que têm a sabedoria do toque e a sensibilidade de compreender os meus cabelos confusos e embaraçados.
E sinto-me uma criança a ser protegida... E se fosse menina queria ser tua filha, por desejar para mim todo o bem que tens para dar, a mim que sou a pessoa mais importante da minha vida.
As tuas mãos controladas deslizam pelos meus braços caídos... Tiram-me o peso da minha carga emocional.
O meu corpo é agora um pedaço de carne vulnerável que não protege mais a minha alma nua, exposta a ti.
Deixo a ambição, foco e determinação escorrer-me pelo umbigo abaixo até aos pés e ela vai-se pelo ralo... Fico apenas espírito, livre de amarguras e preocupações. Leve.
Nem sei o meu nome, onde estou ou que idade tenho. Que fazes comigo?
A água tem afinal sabor. O teu toque tem amor.
A tua respiração que desliza ao meu ouvido por entre as gotas da água são melodia do céu.
Tu nutres-me.
Faço de conta que não sei, mas nunca tive o que me dás. O valor que me atribuís leva-me ao meu interior mais grato.
Peço há tanto tempo o amor que me dás...
Peço sem pedir em palavras.
Pedi com as lágrimas que verti por todas as pessoas que nao me fizeram feliz!
Tu és aquilo que sempre quis.


Deseja-me como se nunca me pudesses ter.
Ama-me como se me fosses perder.
Agarra-me como se eu fosse morrer.










Eu

A minha foto
Planeta Terra, Portugal
Para quem visitar o meu espaço, não se esqueça que o último texto da página foi o primeiro a ser colocado e que entre os primeiros e últimos textos, há sempre uns pelo meio... Digo isto porque quando leio um blog, tento perceber se há algum texto que me agrade, sem deixar que os primeiros, os últimos ou os do meio me repulsem... Aqui, há textos para todos os gostos.